Onde o amor, é o próprio amor

23 de out de 2012


 
Um amor de verdade não faz você questionar. Ele tem as respostas. Tem cheiro de paz e um sorriso sincero. Você não chega em casa após encontrar o verdadeiro amor. Ele é o próprio lar. É um lugar de aconchego, onde a única preocupação é viver, estar bem. Nesse tipo de amor, a felicidade é egoísta. Basta buscar a autoestima para satisfazer o outro. É como calçar as meias para aquecer os pés alheios. Proteção mútua, vida que não se divide, soma em dois para depois se multiplicar. Amor assim não cansa, não faz mal, nem enjoa. Vicia, mas é saudável. Embriaga sem desviar o foco. Tonteia, mas te deixa no rumo certo. Seus pensamentos já não lhe pertencem, são gêmeos e o que resta é uma vida com outros sentidos. Não dá pra enxergar um dia sequer com a ausência desse amor.

O caminhar é seguro. Um amor de verdade torna-se o mais forte equilíbrio emocional, base para qualquer caminhada. Garantia eterna de uma apólice real. Não há dúvidas, atalhos, erros ou tropeços. Mesmo que apareçam armadilhas, você nunca estará sozinho. É como se a vida facilitasse pra você. Não importa o tamanho do adversário, você ganhou um reforço de peso. Alguém que lhe ama desta forma, dará a vida por você e só a morte será capaz de separá-los. Esqueça o orgulho, ele não entra nessa relação.

 O despertar de um amor verdadeiro tem cheiro de café na cama e som de pássaros da aurora. É um acordar com cores e sem pressa. Não há orgulho ou ressentimento, mágoa ou irritação. Você descobre o quanto precisa dela, quando vocês discutem antes de dormir e você tenta - em vão - dormir virado para o lado oposto. Alguns minutos depois você desiste, a abraça e sussurra de forma rude, com um falso ódio: “Estou com frio, preciso me esquentar”. O gesto abre a porta dos sonhos e na manhã seguinte, as almas estão relaxadas, prontas para um novo dia.. Ô, realidade gostosa

Não adianta fazer birra, fingir que não se importa na briga. Não precisa dizer que ama a todo o instante, como uma segurança existencial de si mesmo. O cartão de visitas desse amor é o crédito um pelo outro. Nada de helicópteros distribuindo rosas, restaurantes caros, passeios, cartas, bilhetes, surpresas ou presentes. Amor assim não necessita de provas ou cortejos em demasia. Ele está no olhar diário, na compra do pão preferido ao sair do trabalho e chegar em casa. No chimarrão a dois de uma tarde vazia, ou até mesmo no despir problemas do fim de um dia. Sem esbanjar, nem mendigar. Simplesmente viver. Em relacionamentos assim, o amor próprio é o próprio amor.


Por Chico Garcia 

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